Mata Hari: da cama para a história

Publicado em: Grandes Guerras nº 1 - I Guerra, 2004


Nos cabarés da Paris de 1905, surge em cena Mata Hari, uma morena de 1,70 metro e traços orientais. Seus shows de strip-tease tiravam o fôlego da platéia. E logo viraram mania na cidade. Só que Mata Hari era, na verdade, uma grande farsa. Em meio a criativas lorotas, a holandesa, nascida Margaretha Gertudre Zelle em 1876, contava que era indiana, filha de uma dançarina do deus Shiva. Um prato cheio para os amantes do exotismo. A carreira nos tablados parisienses, no entanto, durou pouco. Imitações do estilo Mata Hari logo se espalharam pelos rendez-vous. Ela, então, tornou-se prostituta de luxo. Entre um amante e outro, conheceu Georges Ladoux, um capitão da contra-espionagem francesa. Era o ano de 1914 e a I Guerra Mundial já pegava fogo. Ciente do poder de sedução da dançarina, Ladoux acabou por convencê-la a entrar para o ramo da bisbilhotagem. Nascia aí a desastrada espiã Mata Hari.

Após duas missões fracassadas – na última trazendo informações falsas da cama de um oficial alemão, em feve-reiro de 1917 –, Mata Hari foi presa. Acreditava-se que a dançarina tinha se tornado uma agente dupla. Após me-ses de cárcere, acusada de ser responsável pela morte de milhares de soldados franceses e ganhando a infame alcunha de “nova messalina”, ela foi condenada à morte. E, em 15 de outubro do mesmo ano, executada. Seu último gesto foi soprar um beijo para os soldados do pelotão de fuzilamento. Recentemente, em 2001, o Ministério da Justiça da França aceitou um recurso dos cidadãos da cidade holandesa de Leewarden, pedindo a reabertura do processo contra a espiã.