Você sabia... Mussolini tentou salvar os judeus

Publicado em: Aventuras na História nº 11, julho de 2004


Documentos revelados em março pelo Vaticano comprovam: em 1933, Benito Mussolini, ditador da Itália e principal aliado de Adolph Hitler, tentou evitar a perseguição aos judeus europeus. Segundo uma carta enviada do escritório do Secretariado de Estado do Vaticano ao papa Pio XI, em abril de 1933, Mussolini exortou oralmente e por escrito o recém-empossado chefe alemão a não “se deixar conduzir por uma campanha anti-semita”. Hitler, porém, começou a aplicar as primeiras leis anti-semitas logo em seguida, com o banimento dos judeus do funcionalismo público.

A divergência do ditador nessa questão se refletiu nos campos de concentração da Itália, muito diferentes dos alemães. As famílias permaneciam unidas, havia escolas e atividades culturais e ninguém era morto em câmaras de gás. Mas isso não significa que Mussolini fosse bonzinho. Para o padre e pesquisador Giovanni Sale, que encontrou o documento, o ditador não tentou dissuadir Hitler por razões éticas, mas por populismo: percebia que o povo italiano considerava absurdo o ideal da raça ariana. Apesar de ter muitos judeus no alto escalão do Partido Fascista, eles foram banidos da vida pública em 1938, com a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial ao lado da Alemanha. Seria o início de uma longa perseguição.