De qualquer jeito, é Carnaval

Publicado em: Guia do Estadão, 16 de fevereiro de 2007


A folia está aí, mesmo para quem não é fã de escola de samba, bloco e desfile. Seja retrô, rock ou eletrônico, comemore em seu estilo

O bloco dos sem-carnaval pode não ser muito popular nesta época do ano, mas com certeza é numeroso. Dorival Caymmi pode ter caluniado, mas quem não é muito chegado no samba não necessariamente chuta cachorro na rua, tem transtorno psiquiátrico ou está em falta com o podólogo. Nem por isso também você vai ficar em casa assistindo desfile com a TV no 'mute' nem se castigar num congestionamento rumo ao litoral e suas micaretas. São Paulo tem de tudo para comemorar 'aquele feriado' fugindo à tradição.

Para começar, blues e jazz. O Sesc Pinheiros, quem sabe com o mesmo raciocínio expresso aí em cima, vai de hoje até terça com seu 'Carnaval na Contramão'. A programação começa hoje com a Orquestra UFRJazz, grande formação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (vejam só) que apresenta repertório de Dizzie Gillespie, Sonny Rollins e sapateado, com o americano Steven Harper. Sábado é a vez da Prado Blues Band e seu 'jump blues', estilo com algo do jazz swing dos anos 40. No domingo, o veterano André Christovam traz clássicos e próprias e, na segunda, Theo Werneck traz um show meio retrô, em busca das raízes do blues. Encerrando a programação, na terça, a banda Delicatessen busca as origens da bossa nova no cool jazz, com vocal de Ana Kruger. Ainda em jazz, o Ao Vivo Bar & Groove traz na terça-feira o guitarrista Scott Henderson, fundador da banda de jazz fusion Tribal Tech.

Se jazz e blues também não fazem sua cabeça, quem sabe um carnaval bem carnavalesco apesar de sem samba, o da coloridona Trash 80's. A festa é a mesma de sempre, discotecagens de Trem da Alegria, Xuxa e Menudo, sem faltar Madonna e Prince, em seis dias de folia bastante heterodoxa. Ou o show da banda que ilustra esta matéria, Exxótica. Com suas fantasias meio-Kiss, meio-circo, eles não fariam feio em nenhum baile. O som é glam metal em português, com letras nem um pouco sérias, e alguns covers do Kiss. Por fim, quem sabe a atração mais original deste contra-carnaval: as marchinhas eletrônicas (você leu bem), onde os DJs Marcinho Virtual, Boquinha, Michel Noya e Zamboll se revezam com remixes de marchinhas em versões house, eletro, tecno, dub e reggae. Quem sabe esteja aí o futuro do tríduo momesco?