O que aconteceu com o IRA?

Publicado em: Aventuras na História, nº 61 - agosto de 2008


Existem três versões do Exército Republicano Irlandês. Uma, o grupo da Continuidade, plantou uma bomba falhada perto de um posto policial em dezembro de 2007. A outra, que se autodenomina IRA Real, detonou um explosivo e feriu um policial em maio passado. Mas esses dois grupos são minorias que romperam com o IRA original, chamado de Provisional. E esse sim é uma ameaça do passado.

Desde que foi criado, em 1969, até 1997, o IRA Provisional foi responsabilizado por cerca de 1 800 mortes em ataques de guerrilha, atentados, assassinatos, assaltos e tumultos em cidades da Inglaterra e da Irlanda do Norte. O objetivo da entidade era forçar a unificação da Irlanda com a porção do norte. O IRA chegou a ser a maior organização terrorista da Europa, capaz de atacar primeiros-ministros britânicos – Margaret Thatcher escapou de um atentado em 1984, e John Major, em 1991.

Em 1993, o governo do Reino Unido começou a negociar com grupos irlandeses, incluindo o partido Sinn Fein (“nós sozinhos” em gaélico), o braço político do IRA. As conversas alcançaram o cessar-fogo de agosto de 1994. Em dezembro de 1996, desentendimentos nas conversas levaram a novos ataques. Quando outra trégua foi acertada, em setembro de 1997, os descontentes fundaram o IRA Real (o grupo da Continuidade já tinha rompido com a matriz em 1986).

Em 10 de abril de 1998, o processo de paz levou ao Acordo de Belfast. Assinado por Irlanda do Norte, Irlanda e Reino Unido, ele prevê o desarmamento dos grupos paramilitares da Irlanda, mas também a reanexação da Irlanda do Norte mediante plebiscito. Em 28 de julho de 2005, os provisionais começaram a depor armas. Em maio passado, nas eleições da Irlanda do Norte, o Sinn Fein ganhou 26,2% dos votos e tornou-se o segundo maior partido do país. Ao menos no que concerne à maioria do movimento, o IRA trocou a touca preta pela gravata.